| ESPECIAL |
CRC-RJ PRATICA AÇÃO
SOCIAL ATRAVÉS DE ASSOCIAÇÃO |
O Conselho Regional de Contabilidade
do Estado do Rio de Janeiro (CRC-RJ) firmou um contrato, para a admissão
de mão-de-obra, com a Associação Niteroiense dos
Deficientes Físicos (ANDEF). Preocupada com a inserção
do portador de necessidades especiais no mercado de trabalho, a ANDEF
busca parcerias desde 1988. Hoje, o programa de aproveitamento de mão
de obra emprega 550 portadores de necessidades especiais junto a 12
empresas.
De acordo com Douglas Amador, supervisor de convênios
da ANDEF, "os contratos são muito importantes porque
dão a oportunidade aos portadores de necessidades especiais
ingressarem no mercado de trabalho, que já devia ter cedido
esse espaço há muito tempo". Ele disse ainda
que, "como o mercado busca especialização,
a ANDEF investe nesse aperfeiçoamento para que os seus
cadastrados tenham condições de serem inseridos
no mercado de trabalho".
Até agora, nenhum contrato foi rescindido
por inadequação às atividades. Segundo Douglas, "o único
contrato cancelado foi em virtude de uma diminuição
da cota destinada a esses funcionários, o que fez com que
a ANDEF não concordasse com os termos".
Os portadores de necessidades especiais que procuram
um emprego têm a oportunidade de fazer um cadastro na sede
ANDEF, além de bancos de dados na internet e também
em outras organizações. Nesses lugares, são
procuradas e selecionadas as pessoas que se encaixam nos perfis
que as empresas buscam.
Paulo Ramos, lotado no CRC-RJ, se cadastrou na
ANDEF e, após dois meses, foi contratado pelo Conselho. "A
partir da contratação minha vida melhorou, porque
com o dinheiro que ganho posso ajudar no sustento da minha família.
Ninguém se preocupa com os nossos problemas, mas a ANDEF
me ajudou muito", disse ele.
Joseli Angélica da Silva Abreu, lotada
no CRC-RJ, teve a sua primeira entrevista de emprego quando completou
dois meses de cadastro, mas por problemas psicológicos
não pode ingressar na vaga. "A ANDEF forneceu um tratamento,
durante seis meses, que me reabilitou. Foi então que surgiu
essa oportunidade no CRC-RJ e hoje eu estou trabalhando aqui graças
a ANDEF", afirmou Joseli.
Daniel Falcão de Oliveira, lotado no CRC-RJ,
estava desempregado há cinco anos e sobrevivia fazendo
artesanato. "A atual situação do país
não me permitia mais trabalhar com artesanato, foi então
que eu procurei a ANDEF, que em duas semanas conseguiu esse emprego
no CRC-RJ" |
| MISCELÂNEA |
TRIBUNAL DE CONTAS REALIZA CONCURSO DE MONOGRAFIAS |
O Tribunal de Contas do Município
do Rio de Janeiro está promovendo o 2º Concurso de Monografia, "Prêmio
Maurício Caldeira de Alvarenga _ 2003", sobre o tema "Auditoria
de Desempenho _ Uma Nova Perspectiva para os Tribunais de Contas",
que visa a incentivar os estudos referentes ao controle de contas públicas.
O prazo de entrega dos trabalhos termina no dia 5 de setembro de 2003. Os participantes
devem enviar os seus trabalhos para o TCMRJ _ Centro Cultural, Rua Santa Luzia,732
_ 13º andar, Centro _ RJ, CEP: 20030-040.
O primeiro e segundo lugares receberão, respectivamente,
R$ 6 mil e R$ 4 mil; os terceiro e quarto colocados receberão
uma menção honrosa. |
CRC-SP PROMOVE A 18º CONVENÇÃO
DOS CONTABILISTAS |
O Conselho Regional de Contabilidade
do Estado de São Paulo (CRC-SP) realizará, de 17 a 19
de setembro de 2003, a 18º Convenção dos Contabilistas
do Estado de São Paulo, no palácio das Convenções
do Parque Anhembi na capital, mesmo local da convenção
anterior. O evento, que tem como lema "Brasil 2003: Contabilidade
e Compromisso Social", vai contar paralelamente com uma feira de
produtos e negócios para Contabilistas.
Os Contabilistas registrados nos CRCs, professores e alunos de Contabilidade,
regularmente matriculados, podem enviar os trabalhos, relacionados à temática
do evento, para o CRC-SP até o dia 15 de agosto de 2003. Só serão
aceitos os trabalhos inéditos e que pelo menos um dos autores seja convencional.
As inscrições para a convenção
podem ser feitas no site: www. convecom.com.br, que contém
maiores informações sobre o evento. |
PRÊMIO BANCO CENTRAL
ESTIMULA PESQUISA |
| O Banco Central do Brasil (BC) está realizando o
I Prêmio Banco Central de Monografia em Política Monetária
- 2003. O prêmio tem a finalidade de estimular a pesquisa nos campos
da Ciência Econômica e de Finanças. O prazo de entrega
dos trabalhos vai até o dia 19 de setembro de 2003. Os trabalhos
terão que apresentar um enfoque atual, versando sobre um ou mais
dos seguintes temas à República Federativa do Brasil: política
monetária, política cambial, política de crédito,
balanço de pagamentos, sistema financeiro e inflação.
Os participantes, profissionais e graduandos, devem
preencher a ficha de inscrição, que está no
portal do BC (www.bcb.gov.br), e enviá-la junto com a monografia
para os e-mails: monografias.profissional@bcb.gov.br; e monografias.graduando@bcb.gov.br.
por Sedex para a Secre/Surel/Direl, Banco Central do Brasil, SBS,
Quadra 3, Bloco B, Edifício-Sede, Mezanino I _ CEP: 70074-900
_ Brasília _ DF, ou então, entregá-las nas Centrais
de Atendimento ao Público do Banco Central do Brasil.
Os três primeiros colocados de cada categoria,
profissionais e graduandos, receberão um prêmio em dinheiro.
Outras informações devem ser consultadas no portal
do BC. |
ARTIGO |
AUDITORIA LOTÉRICA |
Notícias recentes dão
conta de que o Governo Federal inova com auditorias a serem realizadas
nos municípios usando o sistema de sorteio da Caixa Econômica
Federal. Com essa medida, as responsabilidades públicas passam
a ser uma questão de sorte. Prefeitos com sorte passarão
incólumes à fiscalização federal, quase
da mesma forma como os "anões" do orçamento,
deputados que na década de 90 eram freqüentemente portadores
de bilhetes "premiados". Já os Prefeitos azarados receberão
emissários governamentais para vasculharem suas contas com a
recomendação velada de encontrarem algo para gerar o denominado "efeito
demonstração": um alerta para os Prefeitos sortudos,
mas sem conseqüências práticas para a melhoria dos
processos de trabalho.
Sobre esse tema vale resgatar artigo recente dos professores Max H. Bazerman,
George Loewenstein e Don A. Moore, publicado na edição de novembro
de 2002 da Harvard Business Review com título bastante sugestivo
_ Porque Bons Contadores Podem Fazer Auditorias Ruins _, para traçar
um paralelo com a auditoria lotérica que o Governo Federal começou
a implantar neste início de abril. Tal procedimento contraria todas
as teorias da prova auditorial, pois pelo que se noticia pretende substituir
a auditoria baseada em risco por uma nova metodologia baseada em seleção
lotérica: a sorte.
Confesso que, no princípio, considerei
a mudança pretendida com base em um ponto de vista particular,
uma vez que a nova metodologia poderia estar quebrando algum paradigma
que contrariava o modelo de auditoria enraizado pelo conhecimento
acadêmico-científico. Como passo seguinte, consultei
livros, bibliotecas e fontes de credibilidade incontestável
na Internet, enviei mensagens eletrônicas para professores
eméritos e... nada! Não encontrei qualquer referência
que validasse a troca do método: do risco cientificamente
estudado pelo critério da sorte. Ainda não convencido
o suficiente continuei a busca por mais informações,
até me deparar com outro interessante artigo da Harvard
Business Review, este publicado na década de 80, de
autoria do Professor Robert Anthony. O texto trata dos jogos realizados
pelos governos e da manipulação de dados e informações.
No Brasil temos visto nos últimos tempos
governantes que assumem a gestão pública informando à sociedade
que receberam o Estado com cofres vazios e muitas contas a pagar.
Os governantes que saem, por sua vez, garantem que deixaram os
cofres com dinheiro e muitas contas a receber. Nesse jogo dão
explicações carregadas de imagem e emoção,
mas geralmente não fazem uso da velha auditoria certamente
porque, segundo a tradição, os bons auditores são
melhores quando não se dedicam à arte de jogar.
Diante de tantos sofismas, o tema abordado por
Anthony em seu artigo Government Games, Accountants Play (Governos
Jogam, Contadores Brincam) mostra que, enquanto os governantes
jogam, o sistema de auditoria não é utilizado para
avaliar a efetividade das ações do governo. A experiência
tem mostrado que, no início do jogo, os governantes dão
preferência a formas burocráticas de fazer com que
pareça correto aquilo que na essência está errado,
tratando do controle pela forma, da valorização
dos carimbos, das assinaturas e dos atestados. Vale dizer, da
auditoria de papel ou de brincadeira, nas palavras de Anthony,
ou _ como vemos agora _ da auditoria da sorte.
Muito mais interessante seria normatizar o modo
como os administradores municipais devem administrar, eliminando
a carência de instrumentos gerenciais que, muitas vezes,
inviabilizam o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Neste sentido, antes da auditoria lotérica melhor seria
dedicar esforços para a aprovação da lei
de orçamento e finanças públicas que tramita
há mais de 10 anos. Enquanto isso não ocorre, o
cidadão fica assistindo ao jogo perverso voltado para a
criação de constrangimentos episódicos não
lastreados na boa prática administrativa. Para tanto contam
com um controle interno frágil, que supervaloriza a legalidade
orçamentária e abandona a evidenciação
e a transparência da situação patrimonial
que conjugaria ativos e passivos passados, atuais e futuros permitindo
projetar e, principalmente, avaliar as ações de
governo.
A médio e longo prazo, se os gestores
praticarem esse jogo com o cidadão, o problema poderá ser
solucionado na próxima eleição na medida
do amadurecimento político da coletividade. Mas não
deixa de ser preocupante que a auditoria governamental queira
entrar nesse jogo dizendo: "Senhores Prefeitos, façam
suas apostas"...
Lino Martins da Silva
Controlador Geral do Município do Rio de Janeiro
- Professor Adjunto da FAF-UERJ |
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