Segunda-feira, 23 de julho de 2007
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ANO X - Nº 108 - JULHO/AGOSTO - 2003 - Página 05
ESPECIAL
CRC-RJ PRATICA AÇÃO SOCIAL ATRAVÉS DE ASSOCIAÇÃO

O Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro (CRC-RJ) firmou um contrato, para a admissão de mão-de-obra, com a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (ANDEF). Preocupada com a inserção do portador de necessidades especiais no mercado de trabalho, a ANDEF busca parcerias desde 1988. Hoje, o programa de aproveitamento de mão de obra emprega 550 portadores de necessidades especiais junto a 12 empresas.

De acordo com Douglas Amador, supervisor de convênios da ANDEF, "os contratos são muito importantes porque dão a oportunidade aos portadores de necessidades especiais ingressarem no mercado de trabalho, que já devia ter cedido esse espaço há muito tempo". Ele disse ainda que, "como o mercado busca especialização, a ANDEF investe nesse aperfeiçoamento para que os seus cadastrados tenham condições de serem inseridos no mercado de trabalho".

Até agora, nenhum contrato foi rescindido por inadequação às atividades. Segundo Douglas, "o único contrato cancelado foi em virtude de uma diminuição da cota destinada a esses funcionários, o que fez com que a ANDEF não concordasse com os termos".

Os portadores de necessidades especiais que procuram um emprego têm a oportunidade de fazer um cadastro na sede ANDEF, além de bancos de dados na internet e também em outras organizações. Nesses lugares, são procuradas e selecionadas as pessoas que se encaixam nos perfis que as empresas buscam.

Paulo Ramos, lotado no CRC-RJ, se cadastrou na ANDEF e, após dois meses, foi contratado pelo Conselho. "A partir da contratação minha vida melhorou, porque com o dinheiro que ganho posso ajudar no sustento da minha família. Ninguém se preocupa com os nossos problemas, mas a ANDEF me ajudou muito", disse ele.

Joseli Angélica da Silva Abreu, lotada no CRC-RJ, teve a sua primeira entrevista de emprego quando completou dois meses de cadastro, mas por problemas psicológicos não pode ingressar na vaga. "A ANDEF forneceu um tratamento, durante seis meses, que me reabilitou. Foi então que surgiu essa oportunidade no CRC-RJ e hoje eu estou trabalhando aqui graças a ANDEF", afirmou Joseli.

Daniel Falcão de Oliveira, lotado no CRC-RJ, estava desempregado há cinco anos e sobrevivia fazendo artesanato. "A atual situação do país não me permitia mais trabalhar com artesanato, foi então que eu procurei a ANDEF, que em duas semanas conseguiu esse emprego no CRC-RJ"

MISCELÂNEA
TRIBUNAL DE CONTAS REALIZA CONCURSO DE MONOGRAFIAS
O Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro está promovendo o 2º Concurso de Monografia, "Prêmio Maurício Caldeira de Alvarenga _ 2003", sobre o tema "Auditoria de Desempenho _ Uma Nova Perspectiva para os Tribunais de Contas", que visa a incentivar os estudos referentes ao controle de contas públicas.

O prazo de entrega dos trabalhos termina no dia 5 de setembro de 2003. Os participantes devem enviar os seus trabalhos para o TCMRJ _ Centro Cultural, Rua Santa Luzia,732 _ 13º andar, Centro _ RJ, CEP: 20030-040.

O primeiro e segundo lugares receberão, respectivamente, R$ 6 mil e R$ 4 mil; os terceiro e quarto colocados receberão uma menção honrosa.

CRC-SP PROMOVE A 18º CONVENÇÃO DOS CONTABILISTAS
O Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRC-SP) realizará, de 17 a 19 de setembro de 2003, a 18º Convenção dos Contabilistas do Estado de São Paulo, no palácio das Convenções do Parque Anhembi na capital, mesmo local da convenção anterior. O evento, que tem como lema "Brasil 2003: Contabilidade e Compromisso Social", vai contar paralelamente com uma feira de produtos e negócios para Contabilistas.

Os Contabilistas registrados nos CRCs, professores e alunos de Contabilidade, regularmente matriculados, podem enviar os trabalhos, relacionados à temática do evento, para o CRC-SP até o dia 15 de agosto de 2003. Só serão aceitos os trabalhos inéditos e que pelo menos um dos autores seja convencional.

As inscrições para a convenção podem ser feitas no site: www. convecom.com.br, que contém maiores informações sobre o evento.

PRÊMIO BANCO CENTRAL ESTIMULA PESQUISA
O Banco Central do Brasil (BC) está realizando o I Prêmio Banco Central de Monografia em Política Monetária - 2003. O prêmio tem a finalidade de estimular a pesquisa nos campos da Ciência Econômica e de Finanças. O prazo de entrega dos trabalhos vai até o dia 19 de setembro de 2003. Os trabalhos terão que apresentar um enfoque atual, versando sobre um ou mais dos seguintes temas à República Federativa do Brasil: política monetária, política cambial, política de crédito, balanço de pagamentos, sistema financeiro e inflação.

Os participantes, profissionais e graduandos, devem preencher a ficha de inscrição, que está no portal do BC (www.bcb.gov.br), e enviá-la junto com a monografia para os e-mails: monografias.profissional@bcb.gov.br; e monografias.graduando@bcb.gov.br. por Sedex para a Secre/Surel/Direl, Banco Central do Brasil, SBS, Quadra 3, Bloco B, Edifício-Sede, Mezanino I _ CEP: 70074-900 _ Brasília _ DF, ou então, entregá-las nas Centrais de Atendimento ao Público do Banco Central do Brasil.

Os três primeiros colocados de cada categoria, profissionais e graduandos, receberão um prêmio em dinheiro. Outras informações devem ser consultadas no portal do BC.

ARTIGO
AUDITORIA LOTÉRICA

Notícias recentes dão conta de que o Governo Federal inova com auditorias a serem realizadas nos municípios usando o sistema de sorteio da Caixa Econômica Federal. Com essa medida, as responsabilidades públicas passam a ser uma questão de sorte. Prefeitos com sorte passarão incólumes à fiscalização federal, quase da mesma forma como os "anões" do orçamento, deputados que na década de 90 eram freqüentemente portadores de bilhetes "premiados". Já os Prefeitos azarados receberão emissários governamentais para vasculharem suas contas com a recomendação velada de encontrarem algo para gerar o denominado "efeito demonstração": um alerta para os Prefeitos sortudos, mas sem conseqüências práticas para a melhoria dos processos de trabalho.

Sobre esse tema vale resgatar artigo recente dos professores Max H. Bazerman, George Loewenstein e Don A. Moore, publicado na edição de novembro de 2002 da Harvard Business Review com título bastante sugestivo _ Porque Bons Contadores Podem Fazer Auditorias Ruins _, para traçar um paralelo com a auditoria lotérica que o Governo Federal começou a implantar neste início de abril. Tal procedimento contraria todas as teorias da prova auditorial, pois pelo que se noticia pretende substituir a auditoria baseada em risco por uma nova metodologia baseada em seleção lotérica: a sorte.

Confesso que, no princípio, considerei a mudança pretendida com base em um ponto de vista particular, uma vez que a nova metodologia poderia estar quebrando algum paradigma que contrariava o modelo de auditoria enraizado pelo conhecimento acadêmico-científico. Como passo seguinte, consultei livros, bibliotecas e fontes de credibilidade incontestável na Internet, enviei mensagens eletrônicas para professores eméritos e... nada! Não encontrei qualquer referência que validasse a troca do método: do risco cientificamente estudado pelo critério da sorte. Ainda não convencido o suficiente continuei a busca por mais informações, até me deparar com outro interessante artigo da Harvard Business Review, este publicado na década de 80, de autoria do Professor Robert Anthony. O texto trata dos jogos realizados pelos governos e da manipulação de dados e informações.

No Brasil temos visto nos últimos tempos governantes que assumem a gestão pública informando à sociedade que receberam o Estado com cofres vazios e muitas contas a pagar. Os governantes que saem, por sua vez, garantem que deixaram os cofres com dinheiro e muitas contas a receber. Nesse jogo dão explicações carregadas de imagem e emoção, mas geralmente não fazem uso da velha auditoria certamente porque, segundo a tradição, os bons auditores são melhores quando não se dedicam à arte de jogar.

Diante de tantos sofismas, o tema abordado por Anthony em seu artigo Government Games, Accountants Play (Governos Jogam, Contadores Brincam) mostra que, enquanto os governantes jogam, o sistema de auditoria não é utilizado para avaliar a efetividade das ações do governo. A experiência tem mostrado que, no início do jogo, os governantes dão preferência a formas burocráticas de fazer com que pareça correto aquilo que na essência está errado, tratando do controle pela forma, da valorização dos carimbos, das assinaturas e dos atestados. Vale dizer, da auditoria de papel ou de brincadeira, nas palavras de Anthony, ou _ como vemos agora _ da auditoria da sorte.

Muito mais interessante seria normatizar o modo como os administradores municipais devem administrar, eliminando a carência de instrumentos gerenciais que, muitas vezes, inviabilizam o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. Neste sentido, antes da auditoria lotérica melhor seria dedicar esforços para a aprovação da lei de orçamento e finanças públicas que tramita há mais de 10 anos. Enquanto isso não ocorre, o cidadão fica assistindo ao jogo perverso voltado para a criação de constrangimentos episódicos não lastreados na boa prática administrativa. Para tanto contam com um controle interno frágil, que supervaloriza a legalidade orçamentária e abandona a evidenciação e a transparência da situação patrimonial que conjugaria ativos e passivos passados, atuais e futuros permitindo projetar e, principalmente, avaliar as ações de governo.

A médio e longo prazo, se os gestores praticarem esse jogo com o cidadão, o problema poderá ser solucionado na próxima eleição na medida do amadurecimento político da coletividade. Mas não deixa de ser preocupante que a auditoria governamental queira entrar nesse jogo dizendo: "Senhores Prefeitos, façam suas apostas"...

Lino Martins da Silva
Controlador Geral do Município do Rio de Janeiro - Professor Adjunto da FAF-UERJ

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