Marcelo Dória, 31 anos, recebeu com alívio a ampliação do teto do Supersimples. Dono do Depósito da Lingerie, loja localizada em São Paulo e criada em 1998, ele teria que desacelerar o crescimento do negócio para não perder as vantagens do regime tributário. "Se a lei não fosse sancionada, eu teria duas alternativas, mas nenhuma delas era muito animadora. Ou continuaria expandindo e ficaria fora do sistema, já que a receita bruta anual da empresa neste ano ultrapassaria o limite de R$ 240 mil, ou deixava de crescer para continuar enquadrado", diz ele. "Agora posso pensar em contratar novos funcionários e investir no mix de produtos. Estou até querendo aumentar a loja com o intuito de atender melhor a clientela."
Marcelo entrou no Simples desde o princípio da lei, em 2007. Além de reduzir a burocracia e facilitar a vida, ele diz que diminuiu despesas com impostos. "Quando o governo cria esse tipo de medida, está contribuindo para a formalização e diminuição da mortalidade das empresas, geração de empregos e desenvolvimento do país", afirma.
Paulo Feldmann, presidente do Conselho da Pequena Empresa da Fecomercio-SP, defende que é necessário incentivar mais o empreendedorismo no país através de políticas públicas. "O Supersimples é um avanço, mas infelizmente não é o bastante para promover o fortalecimento das Micro e Pequenas Empresas (MPEs) do país. Na Itália, por exemplo, as MPEs são responsáveis por 58% do PIB, segundo dados oficiais. Aqui, elas respondem apenas por 20% do PIB. De cada 100 empresas brasileiras, 99 são micro ou pequenas. Elas são as maiores geradoras de emprego no Brasil", afirma o presidente.
De acordo com dados divulgados pelo Sebrae, baseado no Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged), em setembro as micro e pequenas empresas geraram 130 mil oportunidades de trabalho. O número corresponde a 62% do total.
Feldmann diz que a escassez de crédito é um grande impasse para o desenvolvimento das MPEs. "Faltam programas de microcrédito e financiamentos de longo prazo a taxas atraentes. Com isso, o empreendedor poderia investir em novas máquinas, em tecnologia e expansão", observa. Segundo Feldmann, o sistema bancário do Brasil é avançado e lucrativo, mas o custo dos empréstimos é muito elevado. "Outra medida interessante seria o governo fechar mais negócios com essas empresas. A Inglaterra deu prioridade às pequenas e médias nas compras referentes aos jogos olímpicos de 2012 porque sabe da importância do segmento para impulsionar a economia."
Embora longe do ideal, a participação das MPEs nas compras do governo tem subido nos últimos anos. Levantamento feito pelo Ministério do Planejamento aponta que, entre janeiro e setembro deste ano, as vendas feitas pelas MPEs ao governo federal subiram 16% em comparação ao volume negociado em 2010. Ao todo foram comercializados R$ 8 bilhões. O número representa 25% do total das compras do governo no ano. Em relação a 2002, quando as micro e pequenas venderam R$ 1,8 bilhão para a esfera federal, o volume alcançado em 2011 é cerca de 300% superior. (A.C.D.)
Fonte: Valor Econômico |